segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Grupo separatista ETA anuncia cessar-fogo permanente

O grupo separatista basco ETA anunciou na manhã de hoje (10) um “cessar-fogo permanente, geral e verificável”. O anúncio foi feito por meio de um vídeo enviado ao jornal basco Gara, vinculado ao grupo armado. No vídeo, três homens encapuzados, que dizem representar o grupo “socialista e revolucionário basco”, aparecem sentados em frente a uma bandeira do ETA.

Ao final da mensagem, os três encapuzados erguem os braços, repetindo o slogan do ETA: "Vamos, Pátria Basca e Liberdade”. O governo da Espanha ainda não respondeu oficialmente ao anúncio. Em setembro passado, o governo rejeitou uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo grupo.

As negociações entre o governo e o ETA em 2006 foram interrompidas após um ataque a bomba no Aeroporto de Madri. Desde 1968, o ETA vinha promovendo ações violentas na sua campanha pela independência do país basco. Mais de 800 pessoas foram mortas em atentados promovidos pela organização.

O comunicado pede aos governos de Espanha e França que “respeitem a vontade do povo basco” e incita as autoridades espanholas a promover diálogos e um referendo sobre soberania da região basca. No vídeo, um dos integrantes lê a nota, em espanhol, defendendo o "compromisso do ETA com um processo de solução definitivo e o fim do confronto armado."

A nota diz ainda que a organização ouviu vários pedidos de “agentes da sociedade basca e da comunidade internacional para chegar a um diálogo” e decidiu atender a eles “porque é tempo de agir”.

Os supostos membros do ETA defendem que o resultado do referendo sobre a soberania seja “respeitado com reconhecimento político”. O cessar-fogo será “verificável pela comunidade internacional”, segundo o comunicado, mas as bases dessa verificação não foram detalhadas.

Pelo menos 30 pessoas morrem na região de Abyei no Sudão

Milhares de moradores do Sudão do Sul já votaram nos primeiros dos sete dias de consulta popular, que pode culminar na divisão do país em dois. Na área da futura fronteira, pelo menos 30 pessoas morreram na região de Abyei, rica em petróleo, segundo a BBC. Foram três dias de enfrentamentos, entre nômades árabes e integrantes de tribos sulistas. A Organização das Nações Unidas (ONU) também confirmou ter recebido relatos de violência.

Como o Sul tem altos níveis de analfabetismo, as cédulas de votação trazem dois desenhos, para serem assinalados pelo eleitor: uma mão simboliza a independência do sul; duas mãos dadas indicam preferência por manter o Sudão unificado.

As reiteradas declarações do presidente Omar Al Bashir de que irá aceitar e seguir o resultado, seja ele qual for, aumentou a expectativa de que o processo fosse pacífico. Mas caso o Sul efetivamente venha a separa-se, muito vai ter de se negociar antes da decisão ser completamente efetivada.

Um dos pontos mais complicados é a demarcação da fronteira.“Só sabemos o que é o Norte e o que é o Sul de forma geral”, diz Aly Jamal, doutor do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique, e especialista em conflitos africanos. “Mas uma diferença de 200, 300 metros pode ser motivo de discussão depois, percebendo que o poço de petróleo ou a mina de tantalita esteja para o outro lado”, explica.

A tantalita é um mineral composto de ferro, manganês, nióbio e tântalo, usado na indústria eletrônica, vidro e aço, cujas maiores jazidas estão nos estados brasileiros de Roraima e Amapá.

Confirmando-se a esperada separação do Sul, a região ficaria com a grande maioria das reservas de petróleo já descobertas no Sudão. Mas as estruturas de escoamento e refino, bem como a saída para o mar, ficam no Norte.

A ideia inicial era realizar, ao mesmo tempo, uma outra consulta popular simultaneamente, exclusiva sobre o futuro da região de Abyei, que fica exatamente na fronteira. Mas ela foi adiada, por causa tensão que a decisão vai causar.

Aly Jamal justifica sua preocupação citando o caso da Eritreia. O país foi o único surgido na África depois da criação da União dos Estados Africanos, em 1963 – que decidiu que, após o processo de independência, os países manteriam suas fronteiras, para evitar choques. “Em 1987, oito anos depois da separação, Eritreia e Etiópia envolveram-se em conflitos violentos por causa de uma porção de cadeia de montanhas, que alguém dizia que era importante sob o ponto de vista estratégico”, lembra. “Imagino o que pode acontecer onde há riquezas minerais comprovadas.”

Outros pontos que não foram esclarecidos antes do referendo é a cidadania dos moradores do Norte que atualmente vivem no Sul (e vice-versa), as regras de negócios entre os dois novos países e a divisão dos atuais ganhos com o petróleo.

Também é incerto o que vai acontecer no campo político no Norte. A única oposição atuante ao governo está no Sul do país. O partido no poder teria quase nenhuma resistência para impôr a lei islâmica, como já adiantou o presidente Omar Al Bashir. O Norte do Sudão tem maioria muçulmana, e o Sul é majoritariamente cristão.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Preços gerais da economia brasileira fecham o ano com alta de 11,30%

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getulio Vargas (FGV), fechou o ano com alta de 11,30%. Em dezembro, a variação foi de 0,38%, menos intensa do que no mês anterior, quando a taxa havia sido de 1,58%.

Os dados foram divulgados hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV. O IGP mede o comportamento de preços em geral da economia. Segundo a FGV, disponibilidade interna é a consideração das variações de preços que afetam diretamente as atividades econômicas no país.

Dos três componentes do IGP-DI, apenas o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que responde por 10%, apresentou aumento na taxa na passagem de um mês para o outro, de 0,37% para 0,67%. Tanto o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que corresponde a 60% da taxa global e passou de 1,98% para 0,21%, quanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-DI e diminuiu de 1% para 0,72%, tiveram altas menos intensas em dezembro.

No caso do IPA, o resultado foi influenciado pela queda em alimentos processados (de 4,67% para –0,47%) e pelo decréscimo em materiais e componentes para a manufatura (de 1,41% para 0,67%); além de bovinos (de 11,05% para -4,08%); soja (de 8,62% para 1,96%) e milho (de 11,73% para 0,90%).

No IPC, houve diminuição nas taxas de quatro das sete classes de despesa que o compõem, sendo a principal observada no grupo alimentação (de 2,27% para 1,43%). Ficaram mais baratos ou subiram com menos intensidade os preços das carnes bovinas (de 10,71% para 2,71%), das frutas (de 3,95% para 2,32%) e do arroz e feijão (de -1,25% para -4,77%).

Também tiveram redução as taxas de vestuário (de 1,01% para 0,80%), habitação (de 0,43% para 0,29%) e transportes (de 0,69% para 0,59%).

Por outro lado, subiram os preços de despesas diversas (de 0,31% para 0,51%), saúde e cuidados pessoais (de 0,39% para 0,53%) e educação, leitura e recreação (de 0,34% para 0,37%).

A alta do INCC em dezembro foi puxada pela elevação do custo da mão de obra (de 0,55% para 1,28%). Já materiais e equipamentos (de 0,15% para 0,05%) e serviços (de 0,38% para 0,24%) tiveram redução.

Às vésperas de consulta popular, Sudão vive momento de expectativa e tranquilidade



O Sudão aguarda com expectativa e tranquilidade o início da consulta popular que pode dividir o território do país. De acordo com o embaixador brasileiro no país, Antonio Carlos do Nascimento Pedro, as ruas da capital Cartum não indicam que uma tão temida revolta popular possa acontecer nos próximos dias.

“As instituições estão funcionando. Não há movimento na rua que denuncie ou prenuncie violência ou instabilidade política”, afirma o diplomata brasileiro. “Não há nada que, concretamente, indique uma situação de insegurança. Há, sim, uma ansiedade natural pelo processo.”

A consulta popular, marcada para 9 de janeiro, é aguardada desde 2005, quando foi assinado o Tratado de Naivasha, que pôs fim à guerra civil que tomava conta do país havia 23 anos e deixou mais de 1,5 milhão de mortos. De um lado estava o Norte, de população muçulmana, onde fica a capital Cartum; do outro, o Sudão do Sul, majoritariamente cristão, liderado a partir da cidade de Juba. Além da religião, o petróleo fazia com que o Sul lutasse pela independência.

Analistas internacionais indicavam que – caso o governo central resistisse à realização do processo ou colocasse em dúvida a implementação dele, no caso de vitória da separação – os conflitos não tardariam a voltar.

A tensão atingiu pontos altos durante as negociações que definiram as regras do recenseamento eleitoral e a tentativa – deixada para mais adiante – de delimitação clara das fronteiras das duas regiões. Houve movimento e instalação de tropas dos dois lados. Mas, de acordo com o embaixador Antonio Pedro, o quadro é outro na capital do país.

“Não vejo nenhuma situação de conturbação social ou qualquer excepcionalidade”, afirma ele. “Vejo, sim, um país caminhando para uma consulta popular ampla e de extrema relevância”, diz o diplomata, que está no Sudão desde julho de 2009.

Dos cerca de 40 milhões de sudaneses, 4 milhões registraram-se para votar. São sulistas que vivem em todo o país e também em algumas cidades do exterior. O processo dura uma semana. Para ser válida, a decisão precisa ser tomada por 60% dos eleitores inscritos.

Terminada a apuração, no dia 15, começa a verificação dos votos em cédulas de papel. Contando com o prazo para recursos e homologação, os resultados oficiais devem ser divulgados apenas em meados do mês que vem. Mas deve ser de conhecimento público, extraoficialmente, bem antes disso.

Apesar da tensão natural, o embaixador brasileiro em Cartum acredita que, caso haja mesmo a separação, os dois lados precisam rapidamente definir bases pacíficas para a convivência. E o mesmo petróleo – que chegou a ser motivo de conflito – será também fator para esse equilíbrio.

“Grande parte das reservas [do petróleo já descoberto] está no território que seria do país do Sul”, lembra Antonio Pedro. “Mas a estrutura de refino e escoamento está instalada no que seria um futuro país do Norte. Poderia ser desenvolvido algo parecido no país do Sul? Sim, mas leva tempo. Até lá, eles precisam achar a melhor forma de conviver.”

O Brasil abriu uma embaixada no Sudão em 2006. Ela apoia o comércio entre os dois países – que é pequeno, mas crescente – bem como projetos de cooperação técnica, além da implementação de ações de empresas brasileiras, especialmente no campo da agricultura.

Cercado em hotel, presidente eleito da Costa do Marfim espera solução pacífica para crise

Cercado em um hotel em Abidjan, capital da Costa do Marfim, o presidente eleito do país, Alassane Ouattara, aguarda uma solução pacífica para deixar o local. O líder da oposição, cuja vitória nas urnas foi confirmada pela Organização das Nações Unidas (ONU), quer assumir o poder, mas o atual presidente, Laurent Gbagbo, recusa-se a deixar o cargo.

Na última terça-feira (4) Gbagbo havia prometido negociar um “fim pacífico” para o impasse político no país. De acordo com autoridades, há um acordo sendo negociado na tentativa de acabar com a crise que começou com as eleições presidenciais, no final de novembro de 2010.

O oposicionista Ouattara foi reconhecido internacionalmente como vencedor do pleito, apesar de Gbagbo, que tentava a reeleição, também ter se declarado vencedor. Com os dois presidentes tendo organizado posses simultâneas, o país entrou em uma espécie de limbo político. O impasse tem provocado confrontos e violência entre militantes dos dois lados e a fuga de cidadãos do país.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou que há 22 mil pessoas na Costa do Marfim em busca da Libéria, que faz fronteira com o país. De acordo com a entidade, esse número aumenta.

Paralelamente, líderes políticos africanos pressionam para que Gbagbo deixe o governo. Ontem, o primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, disse que Gbagbo não tem alternativa senão deixar a Presidência. Ainda não foi descartada a opção de uma intervenção militar no país por parte das nações oeste-africanas.